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Economia, Sociedade e Tecnologia

Análise do capítulo “Economia, sociedade e tecnologia: análise dos terrenos movediços” do livro “Tecnologia e inclusão social – A exclusão digital em debate” de Mark Warschauer. Disciplina Novas Tecnologias e Educação à Distância, profª Tânia Maria. Universidade Federal do Ceará.

Eu vou organizar o texto seguindo a mesma ordem do texto original, mas saltando eventualmente alguns tópicos que eu não achei tão interessante.

Esse meu texto fala de exclusão digital, Desigualdade Social, mas fala também da Dell, comunicação e um pouco da minha experiência com blogs.

A Exclusão de Mercedes

O texto começa abordando a crise das empresas ponto com no final da década de 90 e a avaliação do governo do atual governo dos EUA sobre o tema da inclusão digital. Sobre este último tema é muito simbólico o que disse em 2001, Michael K. Powell, então presidente da Federal Communications Commission sobre o tema inclusão digital:

“Acho que é uma exclusão de Mercedes, gostaria de ter um carro desses, mas não tenho dinheiro para isso”, referência.

A falácia aí é que a inclusão digital não trata de supérfluos ou levar um item de luxo à casa das pessoas. Usando a mesma analogia, não se trata de uma exclusão de Mercedes, mas de pessoas que não tem carro ou transporte algum para ter acesso à educação, informação, arte, cultura e entretenimento digital.

O Caso Dell

Um tópico interessante é o estudo de caso da Dell. Um pouco da história da empresa com informações retiradas do artigo Dell na Wikipédia:

Michael Dell fundou a companhia em 1984, enquanto ainda estudava na Universidade do Texas. Dell fundou a empresa com somente U$ 1000. Dentro de seu dormitório, Dell começou a montar computadores compatíveis com os modelos IBM construídos a partir de componentes em estoque.

No ano seguinte a empresa projeta o Turbo PC, seu primeiro computador com desenho próprio. Ele possuia processadores Intel 8088 com a velocidade de 8MHz. A Dell então colocou anúncios em revistas de informática americanas para venda direta ao consumidores, além da possibilidade do consumidor escolher a sua configuração. Com isso, o preço final dos computadores era mais competitivo e o modo de compra mais conveniente. Com o sucesso da companhia, Michael Dell largou a faculdade para administrar seu negócio em tempo integral. Somente no primeiro ano, a companhia teve US$ 6 milhões brutos de entrada.

Achei interessante o caso da Dell porque além de ser uma história intrinsecamente incrível esses dias eu fui apresentado e aceito num programa de parceria entre a Dell e blogueiros. Através desse programa eu sou informado de ofertas exclusivas e recebo banners que eu posso colocar em sites. Para cada computador que é vendido por meu intermédio, eu ganho uma gorda fatia. É uma iniciativa interessante para uma grande e tradicional empresa em tempos que alguns fazem exatamente o contrário.

Estratificação Econômica

O autor mostra diversos estatísticas que utilizam o coeficiente de Gini.

O coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade comumente utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda mas pode ser utilizada para qualquer distribuição. Ela é um número entre 0 e 1, sendo o 0 correspondendo à igualdade de renda, onde todos têm o mesmo, e 1 corresponde a completa desigualdade de renda, onde uma só pessoa tem tudo e o resto não tem nada.

Esse é o gráfico do mapa mundial, colorido de acordo com faixas do coeficiente de Gini aplicado a distribuição de renda:

Coeficiente de geni da desigualdade econômica mundial
Imagem retirada daqui

Notavelmente a América do Sul apresenta uma das piores distribuições de renda. Eu gostaria de ver esse mesmo gráfico, dividido por estados ou cidades brasileiras. Certamente aqui no Ceará, e mais especificamente em Fortaleza teríamos índices de desigualdade gritantes.

Esse outro gráfico apresenta a variação da distribuição de Gini desde a segunda guerra mundial.

Variação do coeficiente de gini desde a segunda guerra mundial
Imagem original aqui

Fica claro que o Brasil é um dos piores, talvez o pior, pais em distribuição de renda do mundo. Nas ultimas décadas parece que a distribuição ficou bem ruim, acima dos 60%, mas estabilizou. A maioria dos outros paises fica compreendido entre 20% e 40%. Nas ultimas décadas é notável o aumento da desigualdade nos Estados Unidos, China e Alemanha mas por outro lado países como França, Noruega e Canadá decresceram seu coeficiente.

O texto sugere que com o avanço do desenvolvimento o coeficiente de gini vai ficando maior não só entre os países mas também dentro dos países. Em outras palavras, quão mais aprofundado se torna o capitalismo, mais profundas se tornam a desigualdade econômicas. Há teorias como a Curva de Kuznets que sugerem que a desigualdade econômica cresce com o tempo (mas depois de um limiar começam a decrescer), mas há críticas a isso. Eu acredito que essas teorias ou esse senso, deve ter sido inspirado com o crescimento da desigualdade como Estados Unidos e China. Mas se a desigualdade é estrutural como explicar o que acontece na França, Noruega e Canadá?

Mas o que é consensual é que vivemos num mundo desigual, e que a desigualdade econômica tem impacto direto sobre a desigualdade social.

Novas Formas de Comunicação

É inegável as mudanças que a Internet causaram nas formas de comunicação.

Eu sou um que me beneficio diretamente disso, já que hoje eu posso escrever textos em blogs, por exemplo, sem me impor as amarras impostas pelas convenções e limitações tradicionais. Hoje eu posso ter uma ideia no meio da noite, escrever um texto no mesmo momento, publica-lo e no outro dia de manhã quando eu acordo, centenas de pessoas já terem lido (ou passado a vista) sobre ele. Eu não precisei encontrar um intermediário, uma editora, uma distribuidora para encontrar meu público. Eu nem me preocupo em quem vai ser meu público, eu deixo o Google e outros indexadores cuidarem disso.

Além da velocidade e facilidade de publicação há também o aspecto multimídia que eu faço questão de usar. Eu sempre tive uma necessidade imensa de me expressar de diversas formas, não só pela palavra escrita e pela palavra falada, mas também através do desenho, da animação e da música. O hipertexto permite isso, permite que eu incorpore elementos de vídeo, áudio e desenho aos textos criando um estilo diferente de comunicação, não só pelo simples fato de poder usar um estilo diferente, mas pela necessidade de expressar através de um estilo que vá alem da escrita.

Para trazer isso para o mundo real, no eupodiatamatando.com onde geralmente eu escrevo textos de humor, eu faço muito uso disso. Há coisas lá que eu não poderia fazer num livro ou num jornal, não nos dias de hoje. Eu não tenho como imprimir um gif animado ou um vídeo. Para mim é uma satisfação muito grande eu poder me expressar dessa forma, até porque eu passei a vida toda levando “carão” das professoras de português pelo jeito que eu escrevia.

Agora me distanciando um pouco de mim, olhando ao meu redor, também é possível ver outros impactos. Quantos não são os casais por aí que se conheceram através de batepapos, mirc ou orkut? Eu conheço vários, alguns até casados (nessa hora ninguém conta os divórcios causados pela internet :D). Na televisão, uma frase que eu ouço cada vez mais é “acesse nosso site”.

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