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Tag: Brazil

assine um jornal

Quando aqui o Trump ganhou, haviam dúvidas sobre o que era bravata, o que era campanha, opinião pessoal ou estratégia. Para cada sentença que ele já havia dito ele também havia dito outra em contradição. Às vezes ele se contradizia com algo que havia dito anos atrás, às vezes dias atrás, às vezes minutos atrás, às vezes dentro de uma mesma sentença. O subreddit /r/TrumpCriticizesTrump é inteiro dedicado a encontrar contradições antigas e novas.

desenho meu, tema inchaço

Logo na cerimônia de empossamento, começou uma polêmica trivial. O comparecimento de público na cerimônia do Trump foi baixo.

Bobagem, né? Quem se importa? A inauguração é em janeiro, frio pra caramba, eu tava me tremendo na inauguração do segundo mandato do Obama em 2013. Frio, segurança pesada, metrô lotado. Além disso, demograficamente a região ao redor de Washington não é eleitora do Trump. Eles teriam que viajar de longe. É completamente compreensível um comparecimento baixo.

Bem, a administração do Trump se importou, e muito. Primeiro Trump disse que aquela havia sido a maior cerimonia de posse da história. Começa uma polêmica. O Sean Spicer, secretário de imprensa na época, fez uma coletiva: “Esse foi o maior público de uma inauguração tanto presencialmente quanto ao redor do mundo”. E mais, “Essas tentativas de diminuir o entusiasmo da inauguração são vergonhosas e erradas”. Só que todo mundo sabia que não era o caso, as evidencias apontavam pro outro lado, logo ou a Casa Branca estava errada ou estava mentindo, e tinha que ser o primeiro até porque alguém iria mentir sobre uma bobagem dessas?

kellyanne conway alternative facts

O óbvio tamanho inferior da inauguração é provado por um ciclo jornalistico de comparação de fotos, fotos aéreas, dados de público no metrô, e tudo que se podia encontrar sobre o tema. Então Kellyanne Conway, porta-voz da Casa Branca, vem a público em uma entrevista onde ela diz que a Casa Branca não estava nem mentindo nem errada mas apenas apresentando “fatos alternativos”. E é aí que as coisas começam a ficar interessantes. Esse não foi só um exercício pontual de absurdismo mas o inicio de um modus operandi que alguns chamam de “firehosing“, como em uma mangueira de incêndio, mentir em grandes quantidades.

O Vox fez uma matéria interessante sobre esse tema onde ela elenca quatro características principais do “firehosing”:

  1. Mentiras em grande quantidade.
  2. Mentiras rápidas, contínuas e repetitivas.
  3. Nenhum compromisso com a realidade objetiva.
  4. Nenhum compromisso com consistência.

Nos meses que se seguiram a mangueira de mentira ficou ligada diariamente. Não existe a possibilidade de eu listar todas as mentiras aqui. Mentiras sobre trivialidades, mentiras grandes, mentiras pequenas, mentiras de todos os tamanhos. Os “fatos alternativos” começam a ser chamados de “fake news” e em pouco tempo a Casa Branca se apropria do termo para chamar tudo e qualquer coisa de “fake news”, que vira um jargão. A maioria dos jornais sequer consegue entender o que está acontecendo a dedicam boa parte do seu tempo em desmentir as mentiras da semana passada, para dar espaço de desmentir as mentiras de ontem, enquanto as mentiras de hoje estão sendo despejadas. Uma consequência é que o Trump consegue de uma maneira peculiar controlar a narrativa.

Como a matéria prima dos jornais é a realidade objetiva, os jornais foram declarados “inimigos do povo” por Trump. Com exceção de alguns poucos veículos que juram uma espécie de lealdade ao líder supremo, os jornais e os jornalistas são atacados diariamente.

A estratégia parece ser a seguinte:

  • Tudo é mentira. Tudo é verdade.
  • Eu já menti, você já mentiu, eles já mentiram, quem não mente?
  • Ei, eu sou do seu time, vamos ficar com a nossa verdade (e as nossas mentiras).

Então Rudy Giuliani, então advogado de Trump, em entrevista defende a estratégia de não deixar Trump dar um depoimento sob juramento porque ele seria incapaz de não mentir, e Giuliani solta “a verdade não é verdade”. Entre “fatos alternativos” e “a verdade não é verdade” fica claro que a própria realidade objetiva está sob ataque. Também se cria uma normalização da mentira, se assume que o Trump vai mentir, é o que ele faz quando a boca dele mexe, e todos os lados passam a aceitar isso. O que acabaria com a carreira de qualquer outro político pra ele é só mais uma quarta-feira.

E em boa parte funcionou. Cada indivíduo que passa a não confiar mais na realidade, nos jornais, agora confia em veículos alternativos de informação dedicados a espalhar mentiras e teorias da conspiração, em correntes de redes sociais, e isso cria uma realidade alternativa que parece impenetrável.

They Live, 1988, John Carpenter

Pra piorar isso tudo os jornais, na tentativa de parecerem mais equilibrados e imparciais, caem no viés do falso equilíbrio. No falso equilíbrio você dá voz aos dois lados em uma mesma proporção na tentativa de parecer mais equilibrado, e com isso diminui as evidências da realidade objetiva. O antídoto parece ser o que disse a Sally Claire:

“Se alguém diz que está chovendo, e outra pessoa diz que não está, seu trabalho não é citar os dois. Seu trabalho é olhar na porra da janela e descobrir o que é verdade.”

Essa é uma boa dica pra quem escreve sobre chuva ou sobre realidade. No mesmo tema, Hannah Arendt escreveu:

O objeto ideal do governo totalitário não é o nazista convicto ou o comunista convicto, mas pessoas para quem a distinção entre fato e ficção (isto é, a realidade da experiência) e a distinção entre verdadeiro e falso (isto é, os padrões de pensamento) não existem mais.

Por outro lado, se você acordou agora e descobriu que isso também está acontecendo no seu país eu não tenho nenhuma formula mágica mas tenho algumas dicas que eu acho que podem ajudar:

  1. Assine um jornal. Como tantas coisas nessa vida o jornalismo precisa melhorar, mas ficamos muito pior sem o jornalismo e sem um quarto poder. Nós precisamos de jornalistas e o jornalismo precisa ser viável, alguém tem que comprar o jornal. Não mate o jornalista de fome.
  2. Aliás, não mate o jornalista. Não chute o jornalista, não jogue pedra no jornalista, no sentido literal. Bônus: você pode usar essa dica em várias circunstâncias na sua vida só trocando a palavra jornalista.
  3. Procure saber da verdade, se o jornal mentir, cobre a verdade do jornal. Procure entender como você está procurando essa verdade, essa verdade é verdade mesmo?
  4. Tenha um pouco de ceticismo mas não tenha ceticismo demais. Cheque as fontes de compartilhar algo. Tem pelo menos fonte? Essa fonte é de um meio respeitado que existe a meio século ou é um blog meia-boca como esse meu? Por outro lado, ceticismo demais e a realidade te escapa. Você vai achar que tudo é feito por atores, por conspiradores mundiais, e esse é um caminho sem volta.
  5. Quando você vê uma mentira, chame ela de mentira. Não chame de polêmica, de causo, de confusão, chame de mentira mesmo. Outros temos suavizam e normalizam a mentira. Chame a mentira de mentira.

O dia seguinte

Existem muitas semelhanças entre o que está acontecendo agora no Brasil com o que aconteceu no EUA em 2016. São duas situações bem diferentes, com personagens bem diferentes, mas certas coisas continuam acontecendo com uma similaridade impressionante. Se as coisas continuarem assim, existe um momento que a violência que você lia a respeito começa a acontecer com um conhecido de um conhecido. Depois ela acontece com alguém que você conhece. Depois ela acontece na sua frente, depois ela acontece com você.
Dia 7 do Inktober 2018, tema: exhausted

Integridade física

Se você testemunhar algum tipo de agressão ou assédio, resista ao instinto de permanecer em choque. Ainda que não seja ainda um agressão física, avalie a situação, as quantidades e a dinâmica. Nós humanos temos comportamento de manada, as vezes ficamos atônitos diante do absurdo, mas se uma pessoa demonstrar bom senso, outras vão seguir.

  1. Inicialmente pelo menos ignore o agressor, converse com a vítima, fale pra vítima que você está ali do lado dela.
  2. Se coloque fisicamente do lado da vítima, se ela estiver sentada, sente-se ao lado dela.
  3. Se a vítima estiver em choque, converse com ela, um assunto não relacionado ao que está acontecendo naquele momento.
  4. Ignore o agressor. Tente desescalar a situação.
  5. Se outra pessoa não estiver afastando o agressor, ou se eles te excedem e a situação não é mais segura, converse com a vítima pra ela acompanhar você pra fora da situação, escolte a vítima para um lugar seguro.
  6. Lembre-se que numa situação de agressão as técnicas e objetivos de um debate não vão funcionar. Procure ser você o bastião da calma e do bom senso, e sobreviva pro dia seguinte.
  7. Se não for possível buscar as autoridades durante o momento, você pode fazer um boletim de ocorrência em seguida. Em alguns estados é possível fazer isso online.

Vagamente inspirado no guia da ilustradora Marie-Shirine Yener

Integridade mental

É preciso lutar mas a luta tem seu preço. Quando a luta é continua e repetida, o preço também é contínuo e repetido.

Se você estiver passando por dificuldades, você não precisa passar por isso sozinho e assim como para todos os problemas que afligem a nossa existência, há ciência e técnicas que podem te ajudar. Se seu carro quebrar, sua cabeça vai te dizer pra chamar um mecânico. Se seu braço estiver doendo, sua cabeça vai te dizer pra chamar um médico. Mas o que acontece quando sua cabeça não está bem? Você pode confiar nela pra te dizer o que fazer? Não, e por isso é importante ter um plano de ação que você possa usar como referencia caso isso aconteça.

Se você ou alguém que você conheça estiver em uma emergência o número do CCV (Centro de Valorização da Vida) é 188. A ligação é gratuita de telefones fixos e celulares. Em algumas cidades o CCV também dispõe de centros de atendimento presencial. Dentro do SUS (Sistema Único de Saúde) existe o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que é público e gratuito. Se sua cidade não possui uma modalidade do CAPS, procure o atendimento do SUS.

Se você tem um plano de saúde privado, liga pra eles e pergunte quais são suas opções de acesso a um profissional da área da psicologia. É da mais absoluta importância procurar ajuda especializada de um profissional quando se tem um problema e não há nenhuma vergonha nisso, pelo contrário, é um gesto de humildade e grandeza.

Você precisa sobreviver para o dia seguinte. Resistir, se juntar, juntar a resistência, se inspirar, se organizar, lutar.

NetBeans Day Fortaleza with Gregg Sporar

Gregg Sporar and CEJUG

Those days Gregg Sporar, NetBeans enthusiast working at Sun Microsystems was here in Brazil and went to our city Fortaleza to speak in our NetBeans Day Fortaleza. We had only a couple of days to prepare everything but is always good work under such pressure. :-)

Me at the airport

Me and my friend (Cassiano Carvalho) could toke care of him. First we got Gregg at our international airport, Pinto Martins from a flight from Recife. After that we went to a typical food dinner at Coco Bambu where’s Gregg could taste our tapioca and figure why our local JUG (CEJUG) event is called Tapioca with Coffee.

Gregg tasting Tapioca

After that we went to the hotel but we did not have realized that that day was the birthday of our city Fortaleza and the birthday party was a public concert at beach of one of most famous artist in Brazil, Roberto Carlos.

Roberto Carlos in the early years
Roberto Carlos in the early years… :P

For those who are not Brazilians, To have an idea what Roberto Carlos is, just imagine (in a smaller proportion of course) some kind of Brazilian Elvis Presley. When we quited the restaurant the show was just finished, we had a huge crowd walking back for everywhere, streets blocked, mess and traffic extremely slow. We spend about two hour on this. We decided to park the car, get Gregg’s luggage and go walking the hotel. Luckily the rain don’t caught us.

Rainy Day

In the morning was raining cats and dogs at Fortaleza, what is very uncommon.

Gregg cheking out

I picked Gregg at the hotel to the campus so we can meet the NPD (acronym in Portuguese for Data Processing Core) building, the Internet backbone of the entire state and where some projects are using NetBeans. Gregg also met our CS department, our labs and our cluster.

While that we prepared the auditorium and some last details, test microphones and projector.

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People started to get and we got their names and mails for event certifications. I opened the event talking about NetBeans, CEJUG projects and opportunities for the students.

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People from TV Software Livre (Free Software Television) was there too to record and transmit the event.

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The first Gregg’s talk was about NetBeans and some new features from the last version of NetBeans and some new features for the version 6.1.

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The second was about Memory Leaks in Java and a method for detecting those. Very interesting.

Gregg Sporar

NetBeans Day Fortaleza

NetBeans Day Fortaleza

NetBeans Day NetBeans Day Fortaleza

Gregg Sporar

After Gregg quited to fly to Brasilia I did a presentation on NetBeans 6 and 6.1 Beta news features. You can download Gregg’s slides here and here, my slides here.The recorded video is hosted at Google Video. You can see more photos in this album:

Gregg Sporar

Gregg, thank you very much and hope you liked your quick visit to Fortaleza. ;) Thanks also CEJUG and all guys that made this event possible.

Ilex Paraguariensis

Chimarrão Gaúcho
Creative Commons image from Flickr.

From days 15 to 20 from April, I’ll be in Porto Alegre. I’ll participate on FISL (an old dream) with the presentation “Netbeans: beyond Java”. I’d like to talk about how you can use Netbeans as a great IDE for languages others than Java like Ruby, PHP, JavaFX, Javascript, Python, etc.

Probably I’ll be able to participate also on two events before FISL (about Opensolaris and Java ME). :)

So … how chimarrão tastes?